08 de Fevereiro de 2004

É chocante quando a ordem natural se inverte e em vez dos filhos enterrarem os pais chega a vez do pai acompanhar o funeral de seu filho. Não conseguimos, como pais, deixar de nos interrogar a respeito da nossa responsabilidade na perda. Quando três filhos meus ficaram gravemente feridos em um desastre de automóvel, me perguntei seguidamente qual a minha parcela no acidente, como poderíamos evitar que estes estúpidos acidentes acontecessem e como transmitir, para jovens cheios de vida e de excesso de confiança, a prudência que somente a vivência de anosé capaz de gerar?
E como sobreviver à dor da perda? Vivi dias tentando me acostumar à possibilidade da morte de meus filhos, tentando me consolar pensando nos bons momentos juntos e agradecendo a Deus pelo privilégio de ter podido conviver com eles, embora por um tempo que me parecia tão curto. A Bíblia nos ensina que Jô, apesar dos maiores sofrimentos, mantinha intacta sua ligação a Deus.
Aprendi que a melhor maneira de mudar nossa atitude para com a dor consiste em aceitar o fato de que tudo o que nos acontece foi construído para nosso crescimento espiritual. Tal modo de pensar me proporcionou uma maior serenidade para lidar com o sofrimento e com a consciência. É ela que, apesar de fonte da dor, vai nos apontar as soluções, as curas ou – em termos religiosos – a salvação.

Pergunta: Recentemente uma de minhas duas filhas, se suicidou. Não aparentava depressão nem problemas emocionais. Teve uma pequena briga com seu namorado e, dias depois, tomou veneno. Minha sogra culpa minha mulher e estamos arrasados.

A., por e-mail.

Resposta: Lamento muito o acontecido. É triste vermos jovens perderem a esperança, estando em um período da vida onde tudo pode ser consertado. Vocês viverão um longo tempo de luto, de tristeza e depois a vida recomeçará. Estou publicando hoje, nesta coluna, uma nova versão de um texto que escrevi há alguns anos no jornal O Dia a propósito dos acidentes onde jovens são vitimados. Quanto à sua sogra, com o tempo o desespero dela deve diminuir e ela poderá entender a impotência e a dor de sua mulher e ficar solidária com ela.

Pergunta: Sempre adio as coisas importantes a fazer. Mesmo sabendo que serei prejudicada, adio ao máximo os compromissos. Até hoje não consegui tirar carteira de motorista, fico com medo, deixo para depois. Por que adiamos? Teresa (35anos), por e-mail

Teresa, 35 anos, por e-mail.


Resposta: Esta atitude é muito comum na maioria das pessoas. Quando não estão atentos, acabam adiando os compromissos, principalmente os que dão trabalho e são desagradáveis, acima de tudo aqueles com os quais não estão familiarizados. Cria-se uma absurda esperança de que a tarefa desapareça ou acabe sendo realizada por outra pessoa e por isto ela é deixada para o último dia pela maioria das pessoas. Esta atitude provavelmente vem da infância, quando as crianças sempre encontravam alguém que cuidava da realização dos seus compromissos. Os adultos repetem o comportamento infantil e ficam parados, esperando que os pais venham resolver o problema.

Frase: “O profundo sofrimento é como um batismo, uma regeneração” A escritora inglesa George Elliot (1819-1880) nos transmite a idéia de que o sofrimento pode originar um estado espiritual mais evoluído.

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