11 de Janeiro de 2004
Crescer externamente é algo que acontece com todos nós sem nenhuma dificuldade. As crianças não precisam tomar nenhuma providência para se desenvolver. Nossas glândulas
de secreção interna produzem os hormônios adequados e o milagre do crescimento ocorre sem qualquer problema. Muito raramente algumas pessoas apresentam doenças que perturbam este processo natural. Porém, quando se trata da evolução interna, a questão muda totalmente, pois se desenvolver como pessoa exige empenho, dedicação e um considerável investimento de energia. É preciso querer amadurecer e desejar se tornar um adulto para que haja possibilidade de reunir a disposição necessária para canalizar para esse processo toda o esforço preciso. Os jovens, habituados com a experiência de seu crescimento externo, feito sem a exigência de qualquer atitude, costumam ter dificuldade para aceitar o fato de que a situação é completamente diferente quanto a esta nova etapa. Como resultado surge a tendência dos adolescentes a se rebelarem contra as cobranças que lhes são feitas e aparecem os conflitos com os pais, ansiosos ao verem a falta de maturidade de seus filhos. Para se superar esta situação é muito útil considerar a dificuldade gerada pelo contraste entre a facilidade do crescimento físico e a dificuldade do crescimento emocional. Tanto os pais quanto os filhos precisam ter consciência deste aspecto para entenderem e superarem esta fase, especialmente delicada e longa, da vida dos adolescentes.
Pergunta: Estou namorando há duas semanas. Fazia muitos anos que eu não namorava ninguém e estou apaixonado. Ela viajou para passar o Natal com os pais e sinto uma insegurança enorme pensando que pode surgir alguém melhor do que eu e então “dançarei”. Quando estou perto dela sou feliz, à distância sofro. Como lidar com isso?A., 33 anos, por e-mail.
Resposta: Apaixonar-se é muito bom, mas convém não perder de vista o que é razoável. Por melhor que possa ser sua namorada, não é ela que vai fazer a sua felicidade. Ou você é feliz internamente ou ficará sempre dependendo de pessoas ou coisas que podem desaparecer. Nesta condição, a insegurança lhe acompanhará permanentemente. O fato de ter passado muitos anos sem namorar sugere que você é excessivamente cauteloso ou exigente, o que faz com que a namorada que aparece se torne por demais preciosa. Lembre-se de que um namoro é apenas uma experiência, que pode ou não dar certo. Esteja preparado para namorar novamente se este namoro não der certo.
Pergunta: Sou casada há três anos e tenho uma filha de um ano. Estou confusa pois conheço uma pessoa desde os 12 anos, já namoramos e fui apaixonada. Voltamos a nos falar e ele diz que devia ter insistido em nossa relação e quer continuar me vendo. Ainda não rolou nada porque sinto culpa de trair, mas não queria deixar de viver isso, pois acho que não cumprimos o que devíamos.
P., 29 anos, por e-mail.
Resposta: O preço a pagar para cumprir o que acha que devia pode ser altíssimo para você – separação, trauma para sua filha, sofrimento para seu marido etc. E seu namorado nada tem a perder. Isto cria um desequilíbrio (você arriscando tudo e ele nada) que, no futuro, se vocês ficarem juntos, vai ser inevitavelmente cobrado. Tudo o que ele fizer que lhe desagrade vai lhe lembrar o enorme sacrifício que você terá feito e você se sentirá prejudicada. A alternativa é desistir, mas você corre o risco de ficar se cobrando a falta de ousadia. Quando
tomamos uma decisão difícil, sempre há algum momento de arrependimento; ele é natural e deve ser encarado com serenidade.
Frase: “Você se tornou adulto no dia em que consegue, pela primeira vez, rir
de si mesmo” Uma boa definição, formulada pela atriz americana Ethel Barrymore (1879-1959) |