21 de Dezembro de 2003
Como filhos, precisamos saber que os pais são imperfeitos e que não se pode esperar deles mais do que aquilo que são capazes de dar. Isto é evidente, mas, pela imagem
que temos deles desde a infância, é comum acreditarmos que nossos pais são mais poderosos e capazes do que na verdade são. Qualquer pessoa que esteja viva deve sua vida a alguém que dela cuidou, algum adulto que se deu ao trabalho de interessar-se pelo bebê que todos nós um dia fomos, que se ocupou de evitar que esse recém-nascido, incapaz de sobreviver por si mesmo, morresse. É muito positivo saber que alguém se interessou por nós e nos amou o suficiente para zelar por nossa vida. Vale a pena cultivar esta consciência de se ter sido cuidado e amado por pessoas que deram seu esforço, seu tempo e seu dinheiro para nos fazer crescer e nos tornarmos nos adultos que somos, com as qualidades que fomos capazes de desenvolver. Tais pessoas merecem nossa gratidão pelo que fizeram por nós, muito mais do que nossa recriminação
pelo que não foram capazes de fazer. A gratidão é um sentimento que enriquece quem a sente. Não deve ser sentida com o peso de uma dívida, mas com a alegria da consciência do amor que recebemos através dos cuidados que nos foram dedicados. Por maiores que tenham sido os erros cometidos por nossos pais, faz bem à alma dedicar nossa atenção ao que eles nos fizeram de bom.
Pergunta: Namoro a quatro anos, mas acho que o namoro acabou! Nossa relação está desgastada, caiu na rotina. Eu o já traí e ele também. Não lembro quando dei o último beijo nele. Eu acho que ele virou meu amigo. Fico quase duas semanas sem vê-lo apesar de morarmos muito perto um do outro. Eu não telefono, nem ele. O que eu faço?E., 22 anos, por e-mail.
Resposta: Vocês estão tão distantes um do outro que nem para oficializar o fim desse namoro, que já acabou, conseguem se encontrar. Acho que a dificuldade de vocês está em saber como se termina um namoro. Nenhum dos dois sabe como agir e por isso os dois ficam parados, sem tomar uma iniciativa, provavelmente esperando que o parceiro o faça. Tenho certeza de que na hora em que esta situação estiver ficando incômoda, o primeiro que se sentir constrangido vai dizer
para o outro que descobriu o obvio: o namoro acabou, o que não tem nada de mais, porque este costuma ser o destino da maioria dos namoros.
Pergunta: Meu namoro de seis anos terminou e estou transtornado. Ela diz que é nova e tem que curtir a vida. Acho que depois que entrou para a faculdade, ela mudou muito influenciada pelas novas amizades. Os amigos dela e sua própria mãe estão a meu favor. O que eu fiz de errado?
P., 24 anos, por e-mail.
Resposta: Não é preciso que você tenha feito algo de errado – namoros simplesmente acabam. É muito comum que, depois de um longo tempo, um dos dois comece a sentir que o entusiasmo pelo outro acabou, que a vida oferece alternativas mais interessantes e que o parceiro já não desperta emoção. Namoro é um período de conhecimento recíproco e experiência. Na maioria das vezes termina em separação. O erro que muitas vezes se comete é ignorar que a relação não pressupõe um compromisso de longo prazo. O compromisso de um namoro está limitado ao desejo de ambos, diferentemente do casamento, onde existe um compromisso mais amplo com a relação. E, mesmo assim, os casamentos também se desfazem.
Frase: “Se tornar pai é mais fácil do que ser” Sutil comentário do teólogo e escritor americano Kent Nerburn (1946) |