23 de Novembro de 2003
Andréa Lisboa Salgado é minha nova heroína. Trata-se da moça que teve de amputar as pernas devido a um estúpido atropelamento por lancha. Suas declarações de amor à vida resumem tudo o que eu gostaria de ser capaz de dizer em uma situação semelhante. Sua maneira de pensar coincide com o que eu desejaria ser capaz de fazer vivendo uma crise parecida. Ela é quem eu gostaria de poder ser – corajosa, serena, capaz de raciocinar e manter a clareza em momentos difíceis. Capaz de manter o foco de sua atenção nos filhos e no bem estar deles, sem se deixar levar pela auto-piedade, sentimento que conduz as pessoa à ruína emocional. É estimulante saber que existe entre nós uma infinidade de heróis. Muitos somente aparecem em função de desastres como o que vitimou esta moça. É bom ter conhecimento de que há muito mais pessoas maduras, dignas e valorosas do que podemos conhecer. Andréa serve de modelo e de inspiração para todos nós, que sofremos nossas pequenas e grandes amarguras. Professora, ela nos ensina como superar dificuldades e a acreditar na prioridade que devemos dar à vida sobre os infortúnios a importância da confiança em nossa capacidade para superar as dificuldades que poderiam se tornar empecilhos para a plena felicidade. Sua maior lição é mostrar com seu exemplo como a felicidade não depende do que nos acontece, mas de como administramos os acontecimentos, bons e ruins de nossa vida.
Pergunta: Meu casamento acabou porque meu marido arranjou uma amante. Ela não é digna nem correta, me preocupa pensar que não é uma boa companhia para minhas filhas. Quero um novo amor, mas não mais para que ele seja o centro da minha vida, mas sim um complemento que me faça alegre e feliz. Ida, 42 anos, por e-mail.
Resposta: Evite fazer julgamentos em relação à amante de seu ex-marido. Eles podem estar corretos, mas você deve saber que sua opinião sobre ela será sempre suspeita. Você não pode nem deve tentar evitar o contato dela com suas filhas pelo risco de prejudicar a relação delas com o pai, que precisa ser preservada e até estimulada. Acho importante você ter percebido que um marido não deve ser o centro da vida de uma mulher. Cada pessoa deve ter sua própria vida e o companheiro ou companheira serve para dividir tarefas e responsabilidades e compartilhar alegrias e tristezas e não para dar sentido à vida.
Pergunta: Sou homossexual. Contei para meus pais que tenho uma namorada e meu pai agora me acusa de ter 'matado' ele por dentro, diz que nunca vai aceitar. Afinal, o que eles tem com isso, sou discreta, mas eles pegam pesado, não me respeitam. O senhor acha que sou doente? Acha que Deus é contra?
Maria, 22 anos, por e-mail.
Resposta: Nem crime, nem doença, homossexualidade é apenas a preferência sexual de algumas pessoas. A inclinação homossexual pode variar desde uma pequena tendência até um impulso irresistível a escolher a relação com pessoas do mesmo sexo. Alguns religiosos têm uma atitude radical de condenação à homossexualidade, mas felizmente são uma minoria. Quando acreditamos na bondade divina e aceitamos que os homossexuais também são filhos de Deus, podemos imaginar que Ele deve achar piores os que matam seus semelhantes do que aqueles que os amam. Quanto a seus pais, é possível que com o tempo eles entendam melhor sua situação e aceitem que é você que deve decidir como viver sua vida.
Frase: Não há heróis de ação, apenas heróis de renúncia e de sofrimento” Constatação do teólogo alemão Albert Schweitzer, prêmio Nobel da Paz em 1952. |