16
de Novembro de 2003
Aqui vai a segunda e última
parte da preciosa reflexão de Ghandi.
Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder
do homem não consiste em atos de violência
física, mas sim numa atitude de presença
metafísica; não se trata de fazer algo,
mas de ser alguém. Quando um homem conquista
o verdadeiro poder, toda a antiga violência acaba
em benevolência. A violência é sinal
de fraqueza, a benevolência é indício
de poder. Os grandes mestres sabem ser severos e rigorosos
sem renegarem a mais perfeita mansuetude e benevolência.
Essa poderosa força, na qual todos estamos
mergulhados, mantém o universo em movimento,
cria novos mundos a cada instante, faz pulsar o coração
dos abutres e dos colibris, dos bandidos e dos homens
de bem, na mais harmoniosa mansidão.
Até mesmo a morte, mensageira da liberdade, chega
de mansinho e, como hábil cirurgiã, rompe
os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-a
do
cativeiro físico. Assim se expressa o verdadeiro
poder: sem ruído, sem alarde e sem violência...
Sempre que a palavra poder lhe vier à mente,
lembre-se do Sol e de sua incontestável mansuetude:
nasce e se põe em profunda quietude; move gigantescos
sistemas planetários, mas penetra suavemente
pela vidraça de uma janela sem a quebrar. Acaricia
as pétalas de uma flor sem a ferir, e beija as
faces de uma criança
adormecida sem a acordar.
Em tempos de tanta violência e de tanta ambição
de poder, estas palavras, plenas do verdadeiro poder
– o poder da razão, devem ser lembradas
e transmitidas.
Pergunta:
Meu namoro de seis anos
caiu na rotina e acabei traindo meu namorado com um
colega dele. Ele descobriu, terminou o namoro, ficamos
separados por um mês, mas ele me perdoou e resolvemos
tentar pela última vez nos acertar. Mas de um
mês pra cá venho traindo-o novamente, com
outro cara. Será que ainda amo meu namorado?
Não quero enganá-lo novamente. T.,Vila
Isabel, por e-mail
Resposta:
Parece que você não o ama suficientemente
para manter à distância a paixão
ou o tesão ou a curiosidade em relação
a outros homens. Assim será difícil preservar
seu namoro. Se você não quer mais, de verdade,
enganar seu namorado terá que escolher entre
terminar o namoro ou renunciar às suas
aventuras amorosas. É possível que a acomodação
e a rotina tenham estimulado você a se interessar
por outros rapazes. Acho que é essencial você
ter algumas longas conversas com seu namorado para verem
se é possível e se há desejo de
salvarem a relação e definirem os rumos
de suas vidas, juntos ou separados.
Pergunta: Tive
um namoro de um ano, quando aconteceu a minha primeira
vez, e terminamos em novembro do ano passado. De agosto
pra cá temos nos encontrado e transado, mas ele
está namorando outra e quando volto dos encontros
fico com ciúmes. Além disso, penso que
é muito cômodo pra ele ter as duas. O que
você acha?
Priscilla, por e-mail
Resposta: Acho
que você está vivendo uma situação
de grande sofrimento e ninguém merece se expor
dessa maneira à dor e à humilhação
de ficar em segundo plano. Se você não
estivesse envolvida com ele, se não o amasse
mais e se não tivesse interesse em ficar com
ele, poderia desfrutar dos momentos que ficam juntos.
Mas, por melhor que sejam os encontros, o preço
que você depois paga por eles não compensa
o prazer e você sabe disso melhor do que ninguém.
Penso que você precisa procurar um novo parceiro
e se afastar deste que não lhe oferece nenhuma
perspectiva de futuro.
Frase: "A violência
é o último recurso da incapacidade"
Mahatma Gandhi (1869-1948)
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